
Renan Calheiros
As divergências partidárias e a briga pelo poder fazem parte do jogo democrático. Mas a cobiça política não pode nunca estar acima dos interesses do País, assim como o respeito pessoal e o espírito de justiça jamais devem ser atropelados por mentiras e intrigas. Os princípios que sempre pautaram minha atuação pública infelizmente foram ignorados desde o início da campanha leviana – e de cunho puramente político – movida contra mim.
As mentiras envolvendo meu nome foram, uma a uma, demolidas com documentos, que tiveram, estes sim, sua veracidade comprovada pela Polícia Federal. Nas notas, declarações e recibos apresentados para comprovar minha receitas, não há qualquer irregularidade, qualquer ilegalidade. A denúncia de que o gado de minhas fazendas era vendido acima do preço de mercado também virou pó. Assim como a acusação de interferência indevida nas negociações da compra de uma empresa de refrigerantes no Nordeste. A empresa nem tinha as dívidas apontadas por meus adversários.
A leviandade de setores da imprensa, alimentada pelo rancor de meus adversários regionais, foram criando denúncias, sem a apresentação de qualquer prova. Inventaram uma fazenda não declarada, em 2002 – outra fraude derrubada com a abertura de meu imposto de renda. Apontaram uma suposta adulteração do imposto, desmentida por certidão da Receita Federal. Coube à Justiça Eleitoral fulminar nova mentira de doações de determinada empresa em minhas campanhas.
Foram adiante, com o suposto escândalo de rádios em nome de laranjas. Outra inculpação mentirosa de um perdedor ressentido, que terá de prestar contas à Justiça. A última mentira envolve uma briga familiar, em que meu nome foi maldosamente citado, de forma a criar escândalos e pressões.
Diante da fragilidade de acusações, tentaram criar intrigas internas, envolvendo senadores e servidores da Casa. Minha própria trajetória na Presidência do Senado tratou de derrubar mais essa leviandade. Sempre me pautei pelo diálogo e pela transparência e jamais usaria o poder do cargo para pressionar, de forma indigna, quem quer que seja. Até mesmo pela confiança e pelo respeito que sempre tive por meus colegas de Senado e pelos servidores de carreira do Senado – cuja competência e independência são inquestionáveis.
Não deixei de dar qualquer explicação, adiantei-me na apresentação de provas contrárias – que , do ponto de vista legal, nem teria a obrigação de apresentar. Foi minha a iniciativa de abrir meus sigilos fiscal e bancário, foi minha a decisão de abreviar os prazos de defesa no Conselho de Ética. Colaborei de todas as formas para que a verdade prevalecesse – e é essa verdade que me mantém tranqüilo, apesar de toda a pressão, de toda a injustiça desse pseudo-escândalo.
Se a opção pelo voto aberto no Conselho esmagou uma norma constitucional cristalina – em nome da continuidade de linchamento –, nem por isso deixei de acatar a decisão da maioria. Registro, apenas, que, quando, por razões de conveniência política, resolve-se atropelar princípios constitucionais, abre-se uma chaga incicatrizável na parte mais sensível do ordenamento jurídico.
Mas se fui vítima dos excessos da democracia, nem por isso deixo de acreditar nessa mesma democracia. Nem por isso perdi a confiança no senso de justiça, no equilíbrio e na isenção de meus pares – que hão de estar acima de pressões ilegítimas e colocar um ponto final nesse pseudo-escândalo, que desvia, de maneira intolerável, a atenção para os assuntos realmente importantes para o País.
Renan Calheiros é senador (PMDB-AL) e presidente do Senado Federal