
Como era inevitável, a globalização atingiu em cheio o altamente profissionalizado universo do futebol e a Copa do Mundo tornou-se o evento mais assistido em todo o planeta, capaz de paralisar a maior parte da população dos países envolvidos em sua disputa. Sem dúvida, é o evento que tem a mais ampla cobertura dos meios de comunicação do mundo.
Nos tempos mais românticos e menos profissionalizados do futebol, os meses que antecediam as Copas do Mundo eram tempos de discussão entre as torcidas dos clubes brasileiros, que defendiam a convocação dos jogadores de seus próprios times. Hoje, apenas três jogadores atuam em nosso país, mesmo assim por mero acaso. Não seria surpreendente se fossem todos “estrangeiros”.
Apenas duas seleções, das 32 que disputarão a Copa, têm 100 por cento de jogadores atuando em seus próprios países: Arábia Saudita e Itália. Mesmo países de culturas mais fechadas, como o Irã, ou de futebol milionário, como Inglaterra e Espanha, lançarão mão de profissionais que atuam no estrangeiro. Há jogadores brasileiros nas seleções do Japão, Tunísia, Portugal, México e até na da Espanha. Nem por isso a Copa do Mundo deixa de ser uma apaixonante festa popular de nacionalidades, em sua forma sadia, mesmo na sisuda e organizada Alemanha, ou na sofisticada França.
As torcidas nacionais também se globalizaram. Qualquer espanhol que torça pelo Barcelona irá torcer também pelo gênio brasileiro Ronaldinho Gaúcho; todo bávaro torcedor do Bayern de Munique terá uma parte do seu coração acompanhando os movimentos de Lúcio e Zé Roberto. Da mesma forma, metade dos milaneses ficará dividida entre a sua Itália e os brasileiros Dida, Cafu e Kaká. A outra metade de Milão acompanhará Adriano.
Nós, brasileiros, sonhamos com o dia em que, novamente, teremos uma seleção formada apenas por jogadores que atuam aqui mesmo, no Brasil, sem prejuízo técnico ou financeiro para suas carreiras.
Temos perdido grandes talentos até mesmo para países com economias menores do que a brasileira, como a Turquia ou a Ucrânia, ou com muito menor tradição e peso futebolístico, como o Japão, a Coréia, a Rússia, ou os países árabes.
Para voltarmos a manter aqui nossos jovens talentos, temos que retomar o crescimento econômico do país, modernizar a administração dos nossos clubes e estimular os investimentos privados no futebol.
Já temos um calendário anual, o que sempre foi a grande reivindicação dos profissionais da área e da imprensa esportiva. Qualquer menino hoje sabe que o primeiro semestre é dedicado aos campeonatos estaduais, à Copa do Brasil e à Libertadores. De abril a dezembro, temos o Campeonato Brasileiro e, no segundo semestre, a Copa Sul-Americana.
Todos os clubes podem, portanto, fazer um planejamento anual e dar férias de 30 dias aos profissionais. Mas as fontes de receita não podem mais ser baseadas apenas nas bilheterias de jogos, nas vendas de jogadores e nas cotas de televisão. Os clubes de futebol também não podem mais partilhar suas receitas com a parte social dos clubes, em um caixa único. É preciso que diversifiquem suas fontes de receita, que profissionalizem suas administrações, que atraiam investidores. É um longo caminho, que será trilhado e é irreversível. E vamos ao hexa!