
Não é de hoje que o Senado Federal vem lutando contra as barreiras que ainda impedem o completo exercício da cidadania por parte de milhões e milhões de brasileiros com deficiência. Brasileiros que têm seus direitos tolhidos pelo preconceito ou pela falta de condições de acesso e inclusão no nosso mercado de trabalho, nas nossas escolas, nas nossas vias e órgãos públicos, nos nossos meios de comunicação. Além de avanços na área legislativa, o Senado tem se empenhado em se tornar um modelo de acessibilidade e inclusão social. A segunda Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência, realizada no final de novembro, vem coroar essa luta. Somos, com o maior orgulho, a primeira instituição pública brasileira a oferecer o mais completo apoio às pessoas com deficiência.
Exemplos não faltam: o Senado tem rampas de acesso, banheiros adaptados, espaços ampliados para tornar possível a passagem de cadeiras de rodas, elevador especial no Salão Negro, triciclos motorizados em cada portaria, tradutores de Libras (a Língua Brasileira de Sinais) para auxiliar os deficientes auditivos, página na internet adaptada para deficientes visuais, sinalizações em braile. Criou o Serviço de Apoio à Pessoa com Deficiência, formado por profissionais treinados na Rede Sarah de Hospitais e na Associação de Deficientes Visuais, que auxilia o transporte e a locomoção de funcionários e visitantes. Contratou 12 pessoas com deficiência para estagiar em diversos órgãos da Casa e realizou um censo interno que está norteando todas as ações do Senado no sentido de ampliar, cada vez mais, a acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência.
O resultado de todo esse trabalho, construído a partir da criação da Comissão Especial de Acessibilidade do Senado Federal, em 2004, teve seu ponto culminante nessa segunda Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência. A programação foi intensa. Uma caminhada de integrantes da Escola de Samba Império Serrano, ao lado de pacientes da Rede Sarah de Hospitais e atletas do Comitê Paraolímpico Brasileiro abriu a semana, que teve sessão especial no plenário, mostras e exposições patrocinadas pelo Sistema Fiesp, Ministério da Saúde, Corpo de Bombeiros, Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Fundação Dorina Nowil, entre outros.
A semana teve também um talk show, comandado por Dudu Braga, filho de Roberto Carlos e deficiente visual, e um espetáculo com Herbert Viana e o grupo Paralamas do Sucesso. O show Somos Todos Brasileiros foi apresentado pelo ator Marcos Frota, que comanda a Unicirco, projeto que dá aulas de circo a crianças em situação de risco social e pessoas com deficiência.
A programação incluiu ainda duas audiências públicas, sobre a Lei de Cotas, Salário e Emprego e sobre a Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência. A inauguração da expansão do sistema de impressão em braile da Secretaria Especial de Editoração e Publicações do Senado foi outro destaque. A gráfica da Casa é agora uma das mais completas do mundo na impressão em braile. Vale lembrar que 1,5 milhão de brasileiros são deficientes visuais.
Nesses dois anos como presidente do Senado, o trabalho em favor da inclusão e da acessibilidade dos deficientes tem sido um de meus maiores orgulhos. E esse trabalho não se limita à alteração da infra-estrutura física da Casa. Inclusão e acessibilidade só se completam com mudanças efetivas de comportamento, de mentalidade. E tenho certeza de que as campanhas que desenvolvemos no Senado estão somando, de forma significativa, na construção de um Brasil livre de preconceitos, um Brasil melhor e menos desigual.