
Depois do carnaval, o evento mais esperado no calendário brasileiro são as festas juninas que animam todo o mês de junho com muita música, além de comidas e bebidas típicas, em homenagem a três santos católicos. As comemorações se iniciam no dia 12, véspera do Dia de Santo Antônio, conhecido como santo casamenteiro, alcançam o dia 24, Dia de São João, que é quando ocorrem as maiores festanças, e terminam no dia 29, Dia de São Pedro, protetor das viúvas e dos pescadores.
Como sabemos, a Festa de São João é típica da região Nordeste, que por sofrer costumeiramente com a aridez da seca agradece anualmente aos santos pelas chuvas caídas na lavoura. E como o período das festas é propício à colheita do milho, as comidas feitas com esses grãos – como canjica, pamonha e mingau – integram a tradição popular. Igualmente saborosas são as comidas de origens africanas e indígenas como o beiju, pé de moleque, broa de goma, mungunzá, tapioca, cuscuz de milho e de arroz e outras tantas.
Atualmente, os festejos juninos realizados em determinadas cidades nordestinas tornaram-se conhecidos nacionalmente, principalmente os de Caruaru, em Pernambuco, e Campina Grande, na Paraíba, que disputam o título de “Maior São João do Mundo”. Além deles, também são famosos, entre outros, os de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Juazeiro do Norte, no Ceará, Aracaju, em Sergipe, e Maceió, que ano a ano vêm aumentando sua expressividade dentre as diversas comemorações brasileiras realizadas ao ar livre.
Se o forró é um dos principais ritmos de nossa região, há muitos outros que também animam nosso povo, como o baião, o xote, o reizado, o samba-de-coco e as cantigas, que são danças e canções típicas das festas juninas. Alagoas é, entre todos os estados brasileiros, o que possui o maior número de folguedos populares. O folclore alagoano, que já ultrapassou fronteiras nacionais e viajou continentes, é conhecido por sua originalidade e beleza. A evolução das danças e os trajes são também o forte de nossa cultura. Há, registrados pelos estudiosos do assunto, 29 folguedos e danças alagoanas, entre natalinos, festas religiosas, carnavalescos e torés.
Mas, dentre os principais folguedos, destacam-se os juninos, como o Coco Alagoano, de origem africana, cantado e acompanhado pelas batidas dos pés ou tropel e o Coco de Roda, formado por uma roda de dançadores, na cadência das palmas e dos cantos.
Em Maceió, as homenagens a São João tomam conta de ruas e praças da capital, sendo uma excelente oportunidade para conferir de perto toda a variedade de manifestações folclóricas alagoanas. Os festejos juninos estão presentes de Maragogi a Penedo, passando por Porto Calvo, São Miguel dos Campos e Coruripe. De Maceió a Delmiro Gouveia, passando por Arapiraca, Porto Real do Colégio e Santana do Ipanema.
Ganham destaque, em nossa terra, compositores como Dominguinhos e Luis Gonzaga, mas Cláudio Rios e Carlos Barbosa, compositores de Alagoas, fazem a diferença. A zabumba, a sanfona e o triângulo marcam o forró pé de serra que agrada a todos os gostos e enchem a cidade de matutos e prendas com vestidos de chita. Apesar da predominância do tradicional forró, a cada ano novos estilos musicais ganham espaço no São João alagoano, como o forró eletrônico, o sertanejo, o brega e o axé.
Mas é no interior que as festas juninas começam mais cedo em algumas cidades de Alagoas, com ampla e atraente programação incluindo bandas de forró de nome nacional, artistas da terra, atrações culturais e folclóricas da região.
Arapiraca possui o tradicional desfile de carroças de burro e o concurso de quadrilhas juninas. Já em Piranhas, há o Forrogaço. Na vizinha Delmiro Gouveia, o São João é sempre comemorado com várias apresentações e concursos de quadrilhas. São Miguel dos Campos é uma das cidades que mais se destacam nos festejos, sempre com bandas de forró de fama nacional, se igualando a importantes cidades nordestinas.
Em Pilar, são tradicionais os famosos palhoções, onde se apresentam quadrilhas e bandas de forró. Na cidade de Murici, os festejos juninos são animados por apresentação de quadrilhas e forró pé de serra, além dos fogos de artifício. Em suma, todas as cidades do interior do estado e a capital Maceió apresentam atrações que tornam Alagoas um importante centro de atração turística e um pólo de referência da cultura e do folclore nordestinos.