
Considerado a redenção do semi-árido alagoano, o projeto do Canal do Sertão vai, aos poucos, tomando forma. Água para irrigar e tirar da terra o sustento é um sonho acalentado pelo sertanejo há séculos e, agora, com esta obra, pode se tornar realidade. Muitas vezes, a seca chega forte como nunca, frustrando a lavoura de subsistência do sertanejo, secando açudes e barragens, acabando com a pastagem nos campos e cerrados.
Iniciado em 1992, o Canal do Sertão hoje integra o Programa de Aceleração do Crescimento e, graças à sensibilidade do Presidente Lula, com quem temos conversado, está avançando novamente. Em 2004, o custo total da obra era de R$ 531,4 milhões. Hoje, o projeto está orçado em mais de R$ 600 milhões.
Previstas para serem concluídas até 2010, as obras passaram pelo menos 10 anos paralisadas por falta de estudos técnicos que garantissem sua viabilidade. Somente em 2002, após a execução de um amplo estudo técnico que envolveu ministérios, órgãos federais e estaduais, a partir de um convênio com a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Chesf), Alagoas pode comprovar a viabilidade do canal. Para isso, foram apontadas as alternativas socioeconômicas de engenharia e os impactos ambientais Tudo levando em conta o aproveitamento da água de parte da bacia hidrográfica do Rio São Francisco, desde o lago do Moxotó, no município de Delmiro Gouveia, próximo à Usina Apolônio Sales, até as imediações de Arapiraca, numa extensão de 250 quilômetros.
O Canal do Sertão encontra-se ainda em sua primeira fase, que compreende a infra-estrutura de captação, com a construção da estação de bombeamento, 45 km do canal adutor e os projetos de irrigação de dois mil hectares. Quando for concluído, o canal vai beneficiar mais de 40 municípios, que correspondem quase a metade do território alagoano em mais de 13 mil km quadrados.
A saída para a seca alagoana, portanto, tinha de passar pelo Velho Chico. O projeto já está sendo considerado uma das maiores e mais modernas obras de engenharia hídrica do mundo. Com o Canal do Sertão, vamos garantir a mais de um milhão de pessoas água tratada para o consumo humano, irrigação, produção de alimentos, viabilização da pecuária e aumento da oferta de alimentos na região com atividades como, por exemplo, a piscicultura.
O Canal do Sertão é, sem dúvida, a melhor alternativa para a promoção do desenvolvimento sustentável do Sertão ao Agreste de Alagoas. Para se ter uma idéia da importância do Canal, vários benefícios estão previstos para a região, como a oferta de água aos núcleos urbanos e rurais, a geração de renda e de oferta de alimentos durante todo o ano, a fim de reverter o quadro de fome e subalimentação, o remanejamento das adutoras coletivas existentes diminuindo os custos de operação e manutenção para a companhia de abastecimento do Estado, o abastecimento de água aos Projetos de Irrigação, o desenvolvimento da piscicultura, criando condições para ofertar alimento de alto valor protéico a baixo custo e promover a reversão do cenário de vulnerabilidade completa no período de estiagem proporcionando melhores condições para contínua produção agrícola na região abrangida.
Por tudo isso, a minha obsessão por este investimento estruturante que vai mudar parte do Sertão e do Agreste de Alagoas, gerando renda e emprego para muitas pessoas. É como a antiga profecia que falava do Sertão que vai virar mar. Com o Canal do Sertão, vai mesmo.
*Renan Calheiros é Líder do PMDB no Senado