
Muito já se discutiu sobre a crise mundial. Saídas e alternativas já foram apontadas por especialistas e analistas internacionais e é tema recorrente dos chefes de governo.
O credo liberal e a panacéia dos mercados “eficientes” ou “auto-regulados” foram sumariamente abandonados. E o Estado assumiu, com maior ou menor grau de acerto, a responsabilidade pela defesa das instituições financeiras, pela provisão da liquidez, pela garantia integral dos depósitos e pela tentativa de evitar a todo custo o aprofundamento da contração do crédito.
A superação da atual crise deverá contemplar a implantação de um novo marco regulatório para o sistema financeiro. E este novo ambiente internacional favorece a busca de soluções cooperadas.
O Parlamento brasileiro, diante desta perspectiva, pode funcionar ainda mais como um pilar fundamental, a ser usado para evitar – entre outros desdobramentos indesejáveis – um baque no crescimento econômico.
Na verdade, este momento vai servir como um grande teste para a democracia. Se falharmos em nossa responsabilidade de fornecer os instrumentos para o enfrentamento da crise, o preço a ser pago será terrível.
A estabilidade econômica e institucional é uma conquista de toda a sociedade e deve ser mantida com a sua colaboração, em todos os seus setores. Qualquer coisa fora disso, é ir contra tudo o que foi construído a duras penas diante do sacrifício de gerações.
Nosso País é uma alternativa na questão de segurança nos investimentos. Nossa credibilidade é nosso grande trunfo. Lideramos a atração de dinheiro estrangeiro entre as economias latinas nos últimos anos. Nosso mercado pujante é um ativo no crescimento.
Além de diversas medidas preventivas para aliviar as instituições financeiras e as empresas, os juros foram cortados em 1%, na semana passada, embora a trajetória de queda possa acompanhar a tendência internacional mais rapidamente. A decisão é extremamente oportuna porque a restrição de crédito no sistema mundial é uma das principais características da crise.
No Brasil, os governos pós-redemocratização sofreram graves crises de governabilidade em meio a tormentas econômicas. O PMDB foi o sustentáculo de todas elas. Basta lembrar os dois primeiros anos do primeiro mandato do Presidente Lula, em que o partido aprovou reformas e vários projetos sem estar no Governo. Hoje, o PMDB divide as responsabilidades executivas e tem colaborado com o País.
Não se deve politizar a crise, uma vez que esta é uma questão de interesse nacional. Para que o Governo possa governar, o Parlamento vai continuar empreendendo ações que desembaracem os nós ainda colocados ante a perspectiva de desenvolvimento.
Mas, o importante, neste momento, é estabelecer uma nova agenda congressual que dê suporte às medidas que estão sendo adotadas.
É preciso, no entanto, resistir às tentações do momento, aos interesses políticos, às pressões nem sempre legítimas, como as propostas de supressão de direitos e garantias que foram conquistadas à custa de gerações.