
O Brasil inteiro ainda vive a dor e o choque pela perda das 154 vidas no maior acidente da história da aviação nacional: a queda do Boeing 737-800 da Gol que ia de Manaus para o Rio de Janeiro, com escala em Brasília, no último dia 29. Seguiu-se à tragédia um debate intenso na imprensa nacional e internacional sobre as responsabilidades no acidente, as falhas inicialmente apontadas e o que pode ser feito para aperfeiçoar ainda mais o sistema normativo e de controle de tráfego aéreo no País, considerado um dos mais eficientes do mundo.
Nada que se faça agora pode atenuar a dor das famílias que perderam entes queridos, mas é preciso não deixar sem respostas as inúmeras indagações que se seguiram ao choque do Boeing com o jatinho Legacy, adquirido da Embraer por uma empresa norte-americana. Nesse sentido, o Senado Federal passa a ter um papel importante. No último dia 10, a Comissão do Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado decidiu acompanhar de perto as investigações envolvendo o acidente. A comissão vai consolidar as apurações que estão sendo conduzidas, cumulativamente, por diversos órgãos, entre eles a Polícia Federal, a Polícia Civil de Mato Grosso, a Agência Nacional de Aviação Civil e o Comando da Aeronáutica.
O Senado não poderia ficar alheio à investigação, nem se omitir da responsabilidade de adotar as medidas necessárias para que nunca mais se repita semelhante tragédia em nosso território. A comissão será também mais um canal institucional importante para dar apoio e orientação às famílias das vítimas.
É bom lembrar que o acidente envolveu dois aviões inteiramente novos e com sistemas de radar modernos e eficientes. Mais: as estatísticas comprovam que o choque de aviões em pleno ar é pouquíssimo provável, principalmente em velocidade de cruzeiro e grande altitude. Tem-se como certo que, 15 minutos antes do choque, os sinais do Transponder (sistema que transmite as informações sobre o vôo, como altitude, identificação, velocidade e direção do avião) do Legacy deixaram de chegar ao radar do Cindacta 1. O resto, por enquanto, se resume a hipóteses, a probabilidades.
É importante, no entanto, continuar acompanhando de perto o desenrolar das investigações. Ao descartar falhas dos controladores de vôo no monitoramento dos aviões, o Ministério da Defesa destacou que, em qualquer hipótese, o plano de vôo tem de ser rigorosamente cumprido. E que gravações indicam não haver qualquer problema de comunicação nas proximidades da Serra do Cachimbo.
Também é importante observar a excelência do trabalho da Embraer, empresa de ponta na indústria nacional, reconhecida mundialmente por seu arrojo e eficiência. Falhas no equipamento estão praticamente descartadas, uma vez que, logo depois de ter atingido o Boeing, os pilotos do Legacy fizeram contato via rádio.
No que depender desta Casa e de mim, mobilizaremos todas as forças para que as autoridades brasileiras, com soberania e transparência, possam adotar as medidas de responsabilização daqueles que causaram essa tragédia. É preciso chegar à verdade. E dar as adequadas respostas às famílias das vítimas e à sociedade sobre as causas desta tragédia não anunciada.