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UMA OLIMPÍADA COR-DE-ROSA

s mulheres lavaram a alma do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim. Com duas medalhas de ouro, uma de prata e três de bronze, elas evitaram que o país deixasse a China com uma participação tímida no quadro de medalhas. A ala feminina, composta por 133 atletas, conquistou glórias inéditas no vôlei, atletismo, judô e taekwondo. E, pela primeira vez na história brasileira, teve um desempenho melhor que a delegação dos homens, com 144 atletas.

Pequim mostrou que o mundo mudou, o Brasil mudou e as mulheres viraram protagonistas, onde antes alguns as consideravam coadjuvantes. A primeira brasileira que brilhou em Pequim foi Ketleyn Quadros. A judoca surpreendeu na categoria leve ao ganhar a medalha de bronze. Assim, com 20 anos de idade, entrou para a história do país ao se tornar a primeira brasileira a ganhar uma medalha em provas individuais nas Olimpíadas.

O feito de Ketleyn foi batido dias depois por Maurren Maggi. Após 80 anos de competição olímpica, as mulheres conseguiram derrubar o último limite imposto pelo atletismo nos Jogos. Com um salto de 7,04 m, ela ganhou a primeira medalha de ouro individual da delegação feminina brasileira em Jogos Olímpicos. Antes de Maurren, o mais perto que o Brasil havia chegado ao pódio no atletismo feminino tinha sido com o quarto lugar de Aída dos Santos no salto em altura dos Jogos Olímpicos de Tóquio (1960).

A seleção feminina de vôlei ganhou a medalha de ouro pela primeira vez, depois de quatro tentativas frustradas. Nas Olimpíadas anteriores, o time caiu nas semifinais. Em Pequim, foi soberano. Venceu todos os adversários, perdendo um único set durante a competição.

O desempenho das mulheres brasileiras em Pequim aconteceu após anos de quase anonimato. A estréia feminina do Brasil em Olimpíadas aconteceu em Los Angeles (1932), com a nadadora Maria Lenk. Mas apenas em Atlanta (1996) é que saíram as primeiras medalhas: ouro com Jackie Silva/Sandra Pires no vôlei de praia, prata no basquete feminino e com Mônica/Adriana Samuel no vôlei de praia, e bronze no vôlei feminino.

Em Pequim, as mulheres ganharam medalhas até em um esporte então dominado pelos homens: a vela. Isabel Swan e Fernanda Oliveira ficaram com o bronze na classe 470. Já o taekwondo garantiu sua primeira medalha olímpica com a campeã mundial Natália Falavigna.

Agora, as mulheres lutam para invadir o último território restrito aos homens: o boxe. A Associação Internacional de Boxe Amador encampou o projeto e defende a entrada das mulheres nas arenas a partir dos Jogos de 2016. De minha parte, prometo apoiar esta luta, assim como fizemos com tantas outras, na época do Ministério da Justiça e no Senado Federal.

Mas eu não poderia terminar este artigo sem falar numa ilustre conterrânea. A craque da seleção feminina de futebol Marta é alagoana de Dois Riachos. Ela já era ouro nos Jogos Pan-americanos de 2003, realizados em Santo Domingo e prata nas Olimpíadas de Atenas de 2004. Conquistou recentemente, juntamente com a seleção brasileira, o bicampeonato do torneio de futebol dos Jogos Pan-americanos de 2007, liderando a artilharia da competição com 12 gols. Foi eleita pela FIFA a melhor jogadora do mundo de 2006 e 2007. E foi prata em Pequim. Após a grande exibição nos Jogos Pan-americanos de 2007, Marta foi comparada a Edson Arantes do Nascimento, sendo chamada por ele mesmo de “Pelé de Saias”.

Por esta e por outras, as atletas brasileiras merecem cada vez mais apoio e atenção dos comitês organizadores dos jogos e do governo federal. Tudo para que as Olimpíadas continuem a ser um evento colorido, alegre, de congraçamento entre povos, etnias, religiões e sexos diferentes.

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