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Uma grande chance

Em seu discurso de prestação anual de contas ao Congresso, o presidente dos EUA, George Bush, anunciou a intenção de reduzir em 20% o consumo de petróleo no país, em um prazo de 10 anos. Para isso, 75% do déficit resultante seriam cobertos com etanol, o combustível produzido de vegetais no caso norte-americano, do milho.

Embora esteja claro que a decisão vai beneficiar, de imediato e principalmente, os produtores milho naquele continente, também o Brasil poderá tirar proveito. É consensual entre cientistas e pesquisadores que o petróleo disponível no mundo se extinguirá em um prazo inferior a 50 anos. E o Brasil está na vanguarda das tecnologias de combustível vegetal, produzido a partir da cana-de-açúcar, da soja e da mamona.

As vantagens estratégicas no Brasil em um horizonte de escassez cada vez maior de petróleo não se resumem ao avanço tecnológico. Temos a maior disponibilidade de terras agricultáveis em todo o mundo para a produção de cana e oleaginosas capazes de gerar energia. Hoje, 1/4 de todo o petróleo produzido no mundo é importado pelos Estados Unidos, com sua economia gigantesca, e toda essa imensa quantidade de óleo é apenas 65% do consumo norte-americano.

Cerca de 40% da energia consumida pelos Estados Unidos vem do petróleo, que é importado de regiões instáveis, como o Oriente Médio, ou de outros países conturbados. Portanto, é imenso o quadro de oportunidades que se abre para os produtores brasileiros. Uma nota oficial da Casa Branca indica também que haverá substanciais importações de fontes alternativas de energia, ou seja, óleo de origem vegetal. Segundo a nota, há razões de ordem ambiental e de segurança energética para que o país invista mais em energia alternativa.

Desde os anos 70, o Brasil desenvolve tecnologia de fabricação de combustíveis a partir da cana-de-açúcar, e nos últimos anos os estudos envolvem também a soja, a mamona e outros produtos de origem agrícola. A sociedade brasileira tem maturidade suficiente para aproveitar o grande mercado que se abre, sem que a nossa produção de alimentos, a nossa diversificação agrícola, seja atingida. Há espaço para que continuemos a ser grandes produtores e exportadores de grãos e de outros alimentos, e ainda atender de forma satisfatória nosso próprio mercado interno.

É preciso, também, que seja incentivado o uso crescente de combustível de origem vegetal aqui mesmo, no Brasil, por razões econômicas e ambientais. Por mais que sejamos cada vez mais, no futuro, grandes exportadores de combustível vegetal e de alimentos, o Brasil precisa também manter a competitividade de sua economia. E o Congresso Nacional estará sempre atento para debater e votar as medidas que levem o país a um crescimento sustentado, de longo prazo.

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