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UMA AGENDA DO PARLAMENTO E DA SOCIEDADE

O desastre está muito longe de ter sido superado. Temos não uma, mas várias crises nos cercando: uma crise financeira, uma crise da economia real, uma crise do comércio mundial, uma crise agrícola e alimentar e uma crise ecológica que restringem decisivamente a margem de manobra de qualquer ação.

Os números e estudos disponíveis apontam cenários catastróficos. O Banco de Inglaterra — ela mesma, em grave crise — estimou em quase três trilhões de dólares as perdas de todas as empresas financeiras do mundo. Calcula-se que os bancos centrais e os governos de todo o mundo já gastaram mais de US$ 7 trilhões de dólares em ações de resgate. Países do G-7 – o grupo das nações mais ricas – entraram em recessão, como Alemanha, Itália e Japão, além, claro, dos Estados Unidos.
O governo brasileiro já teria injetado, de acordo com levantamento dos jornais, quase de R$ 400 bilhões em bancos oficiais e privados, linhas de crédito especiais, operações de câmbio, liberação de compulsório e financiamento a empresas e montadoras.

Tudo isso começou nos Estados Unidos, com a quebradeira de bancos, seguradoras e imobiliárias. A Nação mais poderosa do mundo virou a mais endividada do Planeta. Wall Street ficou gravemente ferida e seu poder político está tão fragilizado quanto o da City de Londres. E é, justamente, do “Tio Sam” que devemos colher as lições da crise.

Não podemos repetir os mesmos erros. A Câmara dos Deputados norte-americana – todos devem se lembrar – chegou a rejeitar o pacote de ajuda aos bancos proposto pelo Governo Bush. O Planeta viveu dias de angústia até que outro pacote, nos mesmos termos, foi aprovado no Capitólio, acrescido apenas de poucas mudanças e muitos casuísmos.

O que me proponho a debater são os desdobramentos da crise no cenário político nacional. Em outras palavras, o que o Parlamento pode fazer – e já fez – para ajudar a encontrar soluções satisfatórias para este momento grave. É por isso que já disse e repito: não se deve politizar a crise, uma vez que esta é uma questão de interesse nacional.

Num momento de enorme aceleração das turbulências, o Parlamento pode servir como um pilar fundamental, a ser usado para evitar – entre outros desdobramentos indesejáveis – uma queda no crescimento econômico.

A verdadeira agenda para a crise deve ser aquela que fortaleça os fundamentos da economia brasileira e prepare o País para a retomada do crescimento econômico, que acontecerá após o ajuste inevitável da economia mundial.

Essa agenda precisa – claro — incluir o marco regulatório do petróleo, uma solução para os precatórios, um aprofundamento da reforma do Judiciário, a desoneração do ICMS para os produtos da cesta básica, dentre outros temas.

A aprovação dessa agenda ajudará a restabelecer a confiança dos mercados. E a desobstruir os canais de crescimento da economia. Mas ela não deve ser apenas uma agenda congressual. Deve partir da sociedade e ser abraçada por ela, em conjunto com o Parlamento.

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