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PMDB: Força Renovada

As urnas deixaram bem claro: o PMDB é a grande força política nacional. O partido garantiu a maior bancada da Câmara dos Deputados, elegeu quatro governadores em primeiro turno (Espírito Santo, Amazonas, Tocantins e Mato Grosso do Sul) e participou de coligações vitoriosas em seis outros estados. Além disso, seus candidatos vão disputar o segundo turno em mais seis estados, com boas chances de vitória. O desempenho foi surpreendente em todas as regiões do país – 13,580 milhões de votos para deputados federais, 1,8 milhão a mais que no pleito de 2002.

A vitória eleitoral demonstra que foi acertada a decisão do partido em convenção de não lançar candidato à Presidência da República, em função da verticalização. Livre para costurar alianças regionais, faturou bons resultados de norte a sul. Fez bancadas expressivas mesmo onde não tinha candidato ao governo. Merece destaque o caso de Alagoas, onde o PMDB conquistou três das nove cadeiras para deputado federal e ajudou a eleger o governador Teotônio Vilela Filho, do PSDB, indicando o vice-governador. O resultado reafirma o caráter nacional do PMDB.

A força do partido – que tem mais de dois milhões de filiados, 4.671 diretórios municipais, 8.315 vereadores e 1.059 prefeitos – pode crescer ainda mais, no começo da nova legislatura. A bancada de 89 deputados federais tem tudo para chegar a 100. E, no Senado, o PMDB continuará tendo a maior bancada.

O eleitor brasileiro enviou vários recados nesta eleição. Desafiou a lógica do marketing político e das pesquisas eleitorais, impôs um segundo turno quando considerou importante um debate mais amplo e definiu o pleito em primeiro turno nos estados em que havia maior clareza nas propostas e projetos apresentados pelos candidatos. Não quer dizer, absolutamente, que o brasileiro reprovou de imediato quem ainda disputa a eleição. Ele deseja, ao contrário, se informar melhor, convocar os candidatos para que esclareçam suas idéias, cobrar promessas.

Nessa segunda fase da campanha, o importante, portanto, é trocar a guerra de nervos pelo debate de propostas. É deixar claro como o voto de cada um vai influenciar no preço do litro de leite, do feijão, do aluguel, na cobrança de impostos, na qualidade da saúde pública, da educação, da segurança. Independente do resultado eleitoral, neste segundo turno, o Brasil precisa ter futuro. Precisa acenar para um quadro de desenvolvimento sustentável, de maior justiça social, precisa reduzir urgentemente a carga tributária, aprovar reformas de base, como a reforma política, e equilibrar os gastos públicos.

E não se faz nada disso sem uma ampla negociação política, sem atores dispostos e capacitados a negociar uma agenda positiva para o país. Ainda mais num sistema que combina presidencialismo e multipartidarismo.

O PMDB tem uma história de 40 anos e a marca da luta pela redemocratização. É um partido que sempre se caracterizou pela democracia interna, pela convivência harmônica de várias correntes de opinião e tendências. As eventuais divergências são, às vezes, exacerbadas pelas próprias diferenças regionais do Brasil e pelo fato de que somos um partido de grande capilaridade, presente nos mais de cinco mil municípios brasileiros.

A força com que o PMDB emerge dessas eleições – foi o melhor desempenho eleitoral desde o fim do bipartidarismo – é mais um motivo para que o partido se torne um aliado decisivo pela governabilidade – seja qual for o resultado das eleições presidenciais, no próximo dia 29. E é também um passo decisivo para que possamos construir, de agora em diante, um projeto nacional de poder. O desempenho de 2006 certamente será multiplicado em 2010. Desta vez, teremos sim candidato à Presidência e quadros à altura não faltam ao partido.

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