Ícone do site Senador Renan Calheiros

Pan no Rio, vestibular para Copa

Os Jogos Pan Americanos deste ano, no Rio de Janeiro, deverão ser, para o Brasil, um autêntico vestibular para eventos esportivos de porte ainda maior, como a Copa do Mundo de 2014 e uma eventual Olimpíada, sonhos de todos os brasileiros. Todo o mundo esportivo estará acompanhando as competições no Rio de Janeiro com olhos críticos. Os mínimos erros não serão perdoados e os acertos serão tratados como simples obrigação.

O Rio de Janeiro é, sem dúvida, uma das cidades mais bonitas do mundo em belezas naturais, e as 33 modalidades esportivas serão disputadas em um raio de apenas 25 quilômetros. Os jogos, os atletas e os turistas que virão serão recebidos e abraçados com carinho pelos cariocas. Pode ser um ponto de reversão para a decadência que vitimou a lindíssima e querida cidade desde que perdeu, em 1960, a condição de Capital da República e, posteriormente, em 1974/75, de estado da União.

Se os Jogos Pan Americanos forem um sucesso de organização, aumentarão consideravelmente as nossas chances, que já são muito grandes, de organizar a Copa do Mundo de 2014. Sobre o Pan, as condições naturais do Rio de Janeiro são privilegiadas. As competições de remo na Lagoa Rodrigo de Freitas, por exemplo, proporcionarão imagens inesquecíveis, bem como a maratona, pela orla marítima da cidade. É uma boa chance também para que esportes que sofrem com a falta de verbas atraiam patrocínios e incentivos.

Está na hora de ousar, de pensar grande. Uma Copa do Mundo e uma Olimpíada no Brasil representarão investimentos em construção civil, em esportes, em mão-de-obra, modernização das cidades, atração para turistas, mais empregos, revitalização de estádios e de áreas urbanas, aumento da auto-estima dos brasileiros, divulgação internacional do país. Sabemos que, no caso da Copa de 2014, haverá uma corrida contra o relógio para garantir as condições exigidas para evento de tal magnitude. Mas é um desafio que temos que encarar e vencer.

A Copa de 1970, no México, representou um enorme benefício ao país e às cidades onde se realizaram os jogos. A tal ponto que, quando o Brasil, no governo João Figueiredo, abriu mão de organizar a Copa de 1986, o México novamente se apresentou e já tinha totais condições de receber uma outra Copa do Mundo. Não se tem notícia de um país arrependido de organizar uma competição esportiva de tal porte.

É preciso, no entanto, que a Copa do Mundo de 2014 não seja apenas um projeto da CBF com apoio do governo. É preciso que seja um desejo de toda a sociedade brasileira, dos empresários, dos cidadãos, dos clubes, dos esportistas. Não tem razão o argumento de que “o país tem necessidades mais urgentes”. O investimento em saúde, em educação, na erradicação da miséria e a realização de uma Copa do Mundo não são excludentes. São metas possíveis e, mais do que isso, necessárias.

Compartilhe este artigo