A economia do Brasil foi a que mais evoluiu no ranking de desenvolvimento financeiro elaborado pelo World Economic Forum (WEF), que teve como coordenador o professor da Universidade de Nova York Nouriel Roubini, tido como guru da atual crise global, pelo acerto em suas previsões. Na apresentação do relatório em Nova York os economistas da entidade destacaram o exemplo positivo do Brasil como sinal de que os emergentes ganham força nas finanças mundiais. Já os americanos e as economias desenvolvidas teriam sido os principais perdedores na crise. Em outra classificação da entidade, que mede a estabilidade do sistema financeiro, o Brasil supera os EUA e o Reino Unido.
O Brasil galgou seis posições no ranking de desenvolvimento financeiro e agora ocupa a 34ª posição. Com algumas poucas exceções, como a Austrália, os países desenvolvidos apresentaram fortes quedas no índice. Os Estados Unidos, que deixaram o topo da lista para ocupar o terceiro lugar, apresentou acentuada redução de 0,73 pontos. A medição leva em conta 120 variáveis, atribuindo pesos ao ambiente de negócios e institucional, estabilidade financeira e a dimensão do mercado de capitais.
Os recorrentes reconhecimentos internacionais ao Brasil refletem a solidez da economia interna após a crise. Outro dado que ampara o otimismo e que aponta uma recuperação sustentável foi o faturamento da indústria em agosto, divulgado pelo CNI (Confederação Brasileira das Indústrias). Descontada a inflação, o setor cresceu 1% em comparação a julho. O resultado dos oito primeiros meses apresenta um faturamento positivo de 3%. Conseqüência direta foi a expansão do emprego no setor. Em agosto o emprego cresceu 0,7% frente a julho, invertendo uma curva de queda verificada desde novembro de 2008. Não por outro motivo que o Boletim Focus – resultado de sondagens do Banco Central com agentes financeiros – revisou para cima a expectativa de crescimento em 2009 e 2010. Agora a perspectiva é de um crescimento de 4,8% ano que vem e de 0,1% este ano.
Um dos indicadores que traduz o otimismo dos agentes privados é a oferta de crédito dos bancos. O financiamento imobiliário tem tudo para ser o motor da expansão do crédito em 2010, especialmente com o programa do Presidente Lula “Minha casa, minha vida” de financiamento e subsídio para casa própria dos mais pobres. Os recursos da poupança, principal fonte dos empréstimos para casa própria, nunca foram tão abundantes. Um dos maiores bancos privados do Brasil, por exemplo, está projetando um aumento de 25% da carteira imobiliária e já tem R$ 4,5 bilhões contratados para 2010. .A mesma perspectiva se repete no financiamento à produção que cresceu 17% em agosto, comparado a julho, e, desta forma, retornou aos patamares anteriores à crise.
Ainda na oferta de crédito, outra projeção alvissareira foi feita pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). De acordo com a entidade, os brasileiros terão perto de R$ 65 milhões disponíveis em créditos para gastar nas festas de final de ano. Este valor é R$ 15 bilhões superior ao dinheiro disponível em dezembro de 2008. Cabe ao consumidor ficar atento à taxa de juros e só contrair empréstimos que possa honrar para que o sonho de consumo – a casa própria, o carro, o eletrodoméstico – não se torne um pesadelo impagável.