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Marechal Deodoro: Reconhecimento Merecido

Foram 20 anos de espera, 20 anos de burocracia. Mas o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) finalmente fez justiça à história de Marechal Deodoro, a cidade onde nasceu o proclamador da República e primeiro presidente do Brasil, o marechal Deodoro da Fonseca. O tombamento da cidade é o reconhecimento de um capítulo importante da história brasileira e um passo fundamental para preservar e recuperar um conjunto arquitetônico dos mais valiosos, do ponto de vista histórico e artístico. Um patrimônio que, infelizmente, se encontrava abandonado nas últimas décadas.

Preservar a memória nacional para as futuras gerações é mais do que um direito do povo brasileiro, uma obrigação do Estado. E Alagoas, que já tem outras duas cidades tombadas como patrimônio nacional ¿ Penedo e Piranhas ¿ tem uma participação das mais ricas na nossa história. O tombamento de Marechal Deodoro, que tramitou por duas décadas no Iphan, faz plena justiça à antiga capital de Alagoas, cuja fundação remonta ao período colonial, quando os portugueses estruturaram a comunidade para evitar o contrabando de pau-brasil na costa brasileira.

Marechal Deodoro, que já foi chamada de Povoação de Madalena de Sumaúna, Vila de Santa Maria Magdalena da Lagoa do Sul e Vila das Alagoas, havia sido tombada pelo governo estadual em 1983, mas teve que esperar, por todo esse período, pelo reconhecimento federal. A cidade, que resistiu bravamente à invasão dos holandeses, no século XVII, não podia mais suportar o descaso com um patrimônio histórico e cultural responsável por torná-la um dos pontos turísticos mais atraentes do Nordeste.

Assim como as outras 61 cidades brasileiras tombadas pelo Iphan, Marechal Deodoro está agora credenciada aos financiamentos provenientes do Programa Moumenta. Os ministérios da Justiça e da Cultura já têm projetos orçados em R$ 4,5 milhões para recuperar o casario e cinco igrejas dos séculos XVII, XVIII e XIX. Mais do que o alívio financeiro e do que a perspectiva de novo impulso no turismo e no desenvolvimento local, é o orgulho dos alagoanos que sai redimido com o tombamento de Marechal Deodoro. Uma decisão que, certamente, tem as graças de Nossa Senhora da Conceição, a padroeira da cidade.

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