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Compromisso com o Brasil

A posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu segundo mandato representou um marco da nossa jovem, mas vigorosa democracia, cada vez mais robusta, mais madura. Esta é uma virtude da democracia: ela vai se incorporando tão naturalmente ao nosso cotidiano que, quando paramos para observar, parece que sempre vivemos na plenitude democrática – e todos sabemos que não foi assim.

A democracia depende de aperfeiçoamentos constantes, é necessário refazê-la diariamente. Eis aí outra virtude dos sistemas democráticos: a sua permanente permeabilidade aos aperfeiçoamentos institucionais. Precisamos também perceber que o processo eleitoral de 2006, mais que celebração democrática, precisa ser ponderado, sob a perspectiva das mensagens emanadas da sociedade.

A sociedade recusou a hegemonia de um partido ou corrente política. O poder foi dividido pelos eleitores, como comprovam os resultados para Presidência da República, Senado Federal, Câmara dos Deputados, governos estaduais e assembléias legislativas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva soube diagnosticar e compreender os desejos da sociedade e, verificada a opção pela continuidade do seu governo, convocou o Brasil para uma grande conciliação.

A oposição responsável tem a consciência de que as reformas estruturais pertencem ao país e não a um governo. Temos a obrigação de criar um ambiente político propício às reformas, com a redução de impostos, a distribuição de renda, a geração de mais investimentos, mais empregos e mais crescimento em bases sustentáveis. Precisamos de racionalidade para maximizar os dividendos econômicos que o cenário externo ainda sugere. Ou o Brasil avança, ou é marginalizado da história econômica moderna.

Diante de um mundo irremediavelmente globalizado, o choque de que necessitamos é o da execução do óbvio. É uma caminhada que exige trabalho, união e patriotismo. O Brasil tem a vocação do desenvolvimento, do crescimento. Ao longo do século XX, fomos o país que mais cresceu economicamente no mundo, superados apenas pelo Japão.

Democracia não é só direito ao voto, ao ir e vir. É também mobilidade social, igualdade de oportunidades e justiça social. As projeções do cenário mundial continuam favoráveis a um crescimento sustentável para os países emergentes. Precisamos prosseguir no ciclo de reformas iniciado ainda na década de 90, para que não sejamos um elo perdido no continente. Temos potencial e vamos, com a ajuda de todos os brasileiros, caminhar no mesmo ritmo acelerado de outras nações.

O papel do Parlamento é acelerar as reformas, entre elas a reforma política ¿ quem morreu não foi a democracia, não foi a ética, quem apodreceu foi o nosso sistema político uninominal ¿ e a mudança nas novas formas de cooperação entre a União e os demais Estados Federados. Temos ainda como desafio urgente a redução dos impostos e a simplificação de todo o sistema tributário, a redução da dívida pública, a complementação dos marcos regulatórios e a garantia de segurança jurídica. De nossa parte, no Senado Federal, não seremos omissos.

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