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Ataque à democracia

Os baderneiros que invadiram e depredaram as dependências da Câmara dos Deputados atacaram, na verdade, um dos pilares da democracia: a representação popular, através do Congresso Nacional.

Investir contra um dos maiores símbolos de nossa República é afrontar o Estado de Direito, é desconhecer, por completo, normas mínimas de convivência democrática. Ao contrário do debate político conduzido por movimentos sociais legítimos, o show de vandalismo patrocinado na semana passada foi ação de segmentos isolados, atrasados e radicais. Afinal, a luta por ideais democráticos precisa ser pautada pelo diálogo e pelo respeito, nunca pela violência e pela anarquia.

Num momento delicado como o atual, conturbado por uma grave crise política e pelo acirramento dos debates eleitorais, a invasão do Congresso por militantes enfurecidos é particularmente grave.

O Brasil que sonhamos não vai ser construído através da violência e do autoritarismo ” de direita, ou de esquerda. A indignação diante de tantas denúncias não vai ser resolvida com atos de vandalismo. O debate político precisa ser baseado na ética, no espírito público e no respeito às nossas instituições e aos nossos ideais democráticos.

E o brasileiro, felizmente, sabe bem disso. Basta ver a reação, no país inteiro, da população, das mais diversas autoridades, da imprensa. Parlamentares da oposição e governo também se uniram no repúdio ao episódio e na defesa de nossas instituições.

A reação do presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo, não poderia ter sido mais precisa. Em nenhum momento, ele aceitou negociar com o bando de manifestantes, que espalhou pânico pelo Salão Verde, pelos corredores e pelos gabinetes, durante mais de duas horas. Também não deu ouvidos para os que pediram a intervenção de forças militares e até do Exército. Mandou prender todos os arruaceiros, mas não abriu mão da soberania da Casa, que tem sua própria polícia legislativa. A seu pedido, quase mil policiais do Batalhão de Operações Especiais foram deslocados para o Congresso, mas permaneceram do lado de fora do prédio, esperando a saída dos manifestantes presos.

A baderna da semana passada não vai nos intimidar ou mudar a rotina do Congresso Nacional. Vamos continuar recebendo de braços abertos os movimentos sociais, a sociedade organizada, as entidades de classe, enfim, todos que queiram, de forma legítima e dentro da ordem vigente, trazer suas reivindicações, suas sugestões e reclamações.

Não vamos dar o braço a torcer a um punhado de radicais, nem abrir mão de nossa vocação democrática. A Casa do Povo é a casa de todos: trabalhadores e empresários, ricos e pobres, negros e brancos, senadores, deputados, vereadores e servidores. Não vamos endurecer a segurança, nem barrar quem quer que seja.

Fui militante e manifestante, fui às ruas na juventude, sem pegar em armas. Fui Ministro da Justiça e jamais preguei a violência como solução para as crises. Sou um pacifista por convicção. E quem tiver essa mesma inspiração e o respeito às instituições democráticas pode contar comigo.

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