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AS MULHERES E AS ELEIÇÕES DE 2008

As eleições de 2008 consagraram alguns avanços importantes na luta pela conquista da igualdade política entre homens e mulheres. E Alagoas registrou um bom exemplo disso. Nosso estado elegeu o maior número de prefeitas de todo o País, em relação ao número de municípios. Foram 19 prefeitas, ou 18,7% do total, praticamente empatando com o Amapá.

Para se ter uma idéia, da importância deste resultado, em todo o Nordeste, foram eleitas 231 prefeitas e 2.453 vereadoras, um número baixo se comprarmos com o de homens eleitos: 1.557 prefeitos e 14.149 vereadores.

Mas, infelizmente, a política e suas instituições são esferas da vida social ainda tradicionalmente dominadas pelos homens. Os postos de poder público foram, durante muito tempo, ocupados exclusivamente por pessoas do sexo masculino, assim como os cargos de direção nas organizações partidárias, que se formam e se estruturam para disputá-los.

As cotas por sexo para as candidaturas aplicadas a todos os partidos ajuda, em certa medida, a superar esta dificuldade inicial. Mas esta não tem sido preenchida, assim como a representação feminina nas prefeituras e câmaras municipais ainda é muito pequena.

Em outras palavras, o desempenho eleitoral dos homens é melhor do que o das mulheres. E, para um País que almeja reduzir as desigualdades sociais, inclusive de gênero e sexo, temos muito que avançar. Cabe a nós refletir e estudar as causas desta desproporção entre homens e mulheres, seus aspectos culturais e propriamente políticos para, quem sabe, um dia, superarmos um dentre muitos aspectos da desigualdade política no Brasil.

Segundo a União Inter-Parlamentar, órgão vinculado à ONU, o Brasil tem 46 deputadas federais, ou 8,7%, colocando o País em 146° lugar num ranking de 192 países. E em penúltimo na América do Sul.

No Senado Federal, temos 10 valorosas representantes da classe feminina. Mas as distorções não são somente nossas. Em todo o mundo, há apenas 17,2% de mulheres legisladoras e, 19,5% nas Américas. Segundo a ONU, no atual ritmo, a igualdade de participação entre os sexos em casas legislativas só seria concretizada em cem anos.

Aqui no Brasil, nestas eleições municipais, mais uma vez, as mulheres foram maioria no eleitorado. De um total de 130.604.430 eleitores, 51,73% são mulheres. Apesar disso, elas foram minoria das candidaturas a prefeito, vice-prefeito e vereador em nível nacional: 21,27%. Uma participação um pouco menor do que nas últimas eleições municipais, em 2004, quando representavam 21,31% dos candidatos.

De um total de 14.629 candidatos a prefeito, as mulheres representaram 1.639 candidaturas, o equivalente a 11,20%. Nas candidaturas ao cargo de vereador, o percentual foi relativamente homogêneo, com média nacional de 21,57%.

Dos 5.563 municípios que estiveram em processo eleitoral, 506 mulheres foram eleitas prefeitas, o equivalente a, aproximadamente, 9,08%, contra 90,92% de homens prefeitos. Um pequeno aumento de 1,56%, no primeiro turno, em relação às eleições de 2004, quando as mulheres ocuparam 7,52% das prefeituras. Das 52.058 vagas nas Câmaras de Vereadores espalhadas pelo país, apenas 6.508 serão ocupadas por mulheres no próximo mandato.

Como se vê, ainda há muito por fazer. É preciso incluir, cada vez mais, as mulheres na tomada de decisões nos campos da política e da economia. E encontrar formas de garantir, na Lei, e na vida real, a conciliação do trabalho com a vida familiar. Isto tudo sem deixar de cuidar de medidas elementares, como o combate ao tráfico e à violência contra as mulheres e crianças.

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