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AS ESTRADAS DO PROGRESSO

A atividade de transportes é fator indutor de desenvolvimento. Para as pequenas cidades, essa importância assume proporções ainda maiores, uma vez que pelas estradas é que as localidades rurais têm acesso aos serviços de educação, saúde e lazer.

O peso das rodovias na produção industrial, no transporte de mercadorias e no escoamento das safras é enorme. E Alagoas, apesar da crise e de todos os percalços burocráticos, tem conseguido atrair investimentos a duras penas. É o caso da vinda de empresas dos setores de plástico e alimentos. Todas requerem infraestrutura de transporte, principalmente malha rodoviária.

Daí a importância de projetos como O PAC. O próprio presidente Lula tem falado da importância da obra de duplicação da BR-101 para o turismo e o fortalecimento da economia do Nordeste. É importante investir num modelo participativo e descentralizador. O Estado deve ser parceiro. Devemos pensar em novas formas de associação com o governo.

É óbvio que o estado lastimável das rodovias afeta o abastecimento interno e a competitividade das exportações. Logicamente, os usuários das rodovias estão cada vez mais insatisfeitos: estradas péssimas, custos operacionais elevados, fretes baixos, pedágios caros, elevados índices de acidentes e pouca segurança.

Há muito tempo defendo a existência de um plano global, de largo espectro, para o setor rodoviário, que envolva recursos da iniciativa privada, da União, dos Estados e, também, dos grandes municípios.

Em Alagoas, este plano é urgente. As principais rodovias federais que cortam o estado são as BR-101, 104, 316 e 423. A BR-101 conta com 258 km e corta o Estado de norte a sul, desde a divisa PE/AL até Porto Real do Colégio na divisa AL/SE, passando por Novo Lino, Messias, São Miguel dos Campos e Junqueiro. A BR-104 tem início em Maceió, passa pelas cidades de Messias, Murici, União dos Palmares e atinge a divisa AL/PE, com 97 km de extensão. A BR-316, com seus 295 km, corta o estado no sentido leste-oeste, desde Maceió até a divisa AL/PE, ligando as cidades de Atalaia, Maribondo, Palmeira dos Índios e Santana do Ipanema. A BR-423 é uma rodovia transversal à BR-316 e, com seus 105 km, liga o Estado de Alagoas aos estados da Bahia e Pernambuco.

As chuvas pioraram o quadro que já era grave. Na altura de Maragogi, as rodovias estaduais que cortam o Litoral Norte e a Zona da Mata, passando pelo Vale do Paraíba alagoano, estão em situação precária. Uma barreira ameaçava cortar ao meio a AL-101 Norte em Japaratinga.

Em Jundiá, na AL-480, a buraqueira facilita a ação de assaltantes. Situação semelhante se verifica na AL-430, que leva a Flexeiras. No Vale do Paraíba, a AL-210 está tomada pelas depressões.

A AL-101 Norte, que serpenteia toda a costa norte, do porto da balsa até a localidade de Bitingüi, em Japaratinga, permanece na lama. O trecho mais crítico fica em Barreiras do Boqueirão, onde uma encosta desliza sobre a estrada de barro, sempre que chuvas mais fortes se abatem sobre a região.

É nesse cenário de abandono que os bandidos encontram o terreno ideal para agir na AL-430 e AL-480, onde o medo trafega a toda hora. Assaltos, acidentes e latrocínios já foram registrados, seja ao meio-dia ou à meia-noite.

        Mas, de todos os projetos, o que está mais atrasado é a duplicação da BR-101 em Alagoas. Eu tenho cobrado a publicação da licitação, há meses, mas o DNIT parece estar mais preocupado com o calendário de outros Estados do [SF1] que com o de Alagoas, impondo um sério revés aos alagoanos, um povo pobre, sofrido, que não pode e não vai perder essa duplicação, que é um compromisso formal, repetido, assumido várias vezes pelo Presidente da República.

Eu conversei recentemente com o Ministro Alfredo Nascimento, dos Transportes, que determinou a elaboração de uma nota técnica e anunciou que o edital será publicado no dia 20 de maio. Esse seria o primeiro passo de uma obra que integra os recursos do PAC. São 247 quilômetros de Sergipe a Pernambuco, com o custo de mais de R$ 700 milhões. A duplicação provocará uma verdadeira revolução no fluxo dos turistas e de cargas em Alagoas, movimentando a economia.
 *Renan Calheiros é Líder do PMDB no Senado

 

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