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ALAGOAS NOS TRILHOS DO CRESCIMENTO

Para quem já morou perto das ferrovias, o apito da locomotiva sempre foi sinal de desenvolvimento. Muitas cidades que cresceram em volta das estações de trem, junto às velhas locomotivas, são importantes patrimônios culturais e fonte de riqueza pelo seu potencial turístico e econômico.



Em agosto de 2003, eu denunciava, no Plenário do Senado, o abandono da malha ferroviária do Nordeste. Lembrei que Alagoas estava com o tráfego ferroviário paralisado desde 2000, por causa de fortes chuvas. E foram cerca de 20 anos de problemas, paralisações e de falta de investimento.

Mas, agora, parece que nosso estado, terá sua chance de se desenvolver pelos trilhos. A Ferrovia Norte-Sul, a Nova Trasnordestina e a recuperação de trechos da antiga Transnordestina estão a todo vapor e serão uma das principais bases para a promoção de taxas de crescimento mais altas.

Hoje, Alagoas usa menos de 10% da malha, mesmo assim para transportar passageiros. As cargas não têm trilhos para escoar. No ano passado, a CFN iniciou as obras de reativação das linhas férreas alagoanas. A malha ferroviária passa por diversos municípios, como São José da Laje, União dos Palmares, Branquinha, Murici, Rio Largo, Atalaia, Capela, Cajueiro, Viçosa, Paulo Jacinto, Quebrangulo, Palmeira dos índios, Arapiraca, Campo Grande e Porto Real do Colégio. Com recursos públicos, oriundos do FINOR, os consertos estão sendo feitos a toque de caixa.

Pude, pessoalmente, constatar a rapidez e a eficiência das obras no último dia 18 de agosto quando, acompanhado do governador Teotonio Vilela Fº, fomos vistoriar a recuperação da linha férrea.
Não tenham dúvida da importância estratégica que o projeto está tendo para o estado e sua população. São mais de 500 empregos diretos. Quando a linha começar a funcionar, será mais fácil exportar tudo o que produzimos em Alagoas, a exemplo do álcool, do açúcar, do cimento, do PVC, produtos que já são vendidos em outros estados, mas por rodovias, o que os torna mais caros e menos competitivos.

Hoje, as cidades de Arapiraca, Palmeira dos índios, Viçosa, Quebrangulo, Capela e Cajueiro possuem trechos recuperados. As ferrovias conectadas aos portos são fundamentais para o desenvolvimento econômico. Este é um dos muitos investimentos da iniciativa privada que são importantes para Alagoas. Temos trabalhado, aliás, para que isto aconteça.

Quem sabe, depois dessas reformas, poderemos presenciar cenas como as que foram descritas pelo coletor de impostos de Alagoas, Walfrido Moraes, pelos idos de 1937: “Por fim, o trem partiu. E lá se foi, fungando, soltando fumaça, apitando, trepidando, rangindo os ferros velhos, varando a caatinga braba, estorricada, sedenta. Parando aqui e parando ali, nas estaçõezinhas do caminho”.

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