O PMDB completa 40 anos neste mês de março, e sua história se confunde com a luta pela redemocratização e pelo aperfeiçoamento institucional do Brasil. Durante os anos de regime militar, o então MDB foi a grande trincheira institucional dos que defendiam o fim do autoritarismo e a retomada do poder pela cidadania.
O partido esteve à frente da luta pela anistia ampla, geral e irrestrita, pelas eleições diretas e pela Constituinte e foi decisivo para manter acesa a chama do ideal democrático. Graças à sua atuação, pudemos, depois de 20 anos de regime autoritário, retomar com segurança o caminho da democracia. Hoje, o PMDB é o partido que garante a estabilidade e a governabilidade em nosso país.
O então MDB foi criado como oposição ao regime militar em 1966, enquanto um grupo de brasileiros fez a opção pela luta armada. Em 1972, com ousadia e criatividade, lançou a chamada anti-candidatura de Ulysses Guimarães à Presidência da República, uma denúncia do Colégio Eleitoral, que apenas referendava os generais que se sucediam no poder. Na chapa, como candidato a vice, estava o grande brasileiro Barbosa Lima Sobrinho. Foi uma memorável campanha cívica. Em 1978, o partido só não conquistou a maioria no Senado porque o então presidente, Ernesto Geisel, editou o chamado “Pacote de Abril”, que criou os senadores biônicos.
O PMDB foi o grande fiador da campanha das Diretas Já, o maior movimento popular que o Brasil conheceu, com a liderança de Ulysses Guimarães, Teotônio Vilela, Sobral Pinto e outros nomes memoráveis de nosso partido, como Franco Montoro, Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso. A emenda das diretas foi derrotada, mas a eleição de Tancredo Neves e José Sarney pelo Colégio Eleitoral, em 1984, garantiu a retomada da democracia.
Vamos agora para as eleições gerais de outubro com os mesmos ideais que sempre nortearam o velho MDB ¿ a democracia, o desenvolvimento e a justiça social. Os números comprovam a força da legenda: temos, atualmente, mais de dois milhões de filiados; 27 diretórios estaduais e 4.671 diretórios municipais; 8.315 vereadores; 1.059 prefeitos; 140 deputados estaduais; nove governadores; três ministros de Estado e uma bancada com 23 senadores e 82 deputados federais.
O PMDB é, muitas vezes, criticado por suas divisões internas. Mas as divisões decorrem da própria diversidade regional brasileira e do tamanho do partido. Elas existem em todas as legendas, mas ficam mais evidentes no PMDB, que é a maior de todas. Somos um partido democrático, que não tem dono. Praticamos a democracia interna, o que quase sempre é um processo difícil, penoso. Mas é sempre o melhor dos processos.
A argamassa que garante a unidade do PMDB é a defesa intransigente da democracia como valor absoluto, do crescimento econômico, da educação, do aperfeiçoamento institucional, o combate à desigualdade regional e à pobreza. Temos sempre buscado garantir a governabilidade e, ao mesmo tempo, preservar a nossa independência, a nossa consciência crítica e uma ação propositiva.
Vamos reconstruir a unidade interna. É hora de união, é tempo de construir. A convenção nacional de abril é o melhor caminho para restabelecermos a harmonia entre as nossas diversas correntes e definirmos um projeto para o Brasil.